quarta-feira, 27 de março de 2013

Diocese de Ji-Paraná realizará nos dias 6 e 7 de abril a Ampliada de Catequese


A Animação Bíblico-Catequética da Diocese de Ji-Paraná-RO realizará nos dias 6 e 7 de abril o Encontro da Comissão Ampliada de Catequese.

Esse Encontro acontece duas vezes ao ano e reúne todos os coordenadores e coordenadoras de Catequese das 23 Paróquias que compõem a Diocese.

Se na Paróquia a coordenação de Catequese ainda não estiver estruturada, os/as Agentes devem encaminhar alguém que os represente, ou eles/elas mesmo devem participar, a fim de continuarmos a unidade nos trabalhos.

A Coordenação pede que quem ainda não confirmou a presença, por favor ligar no 69 3416 4203 ou mandar por e-mail: catequesediojipa@hotmail.com, os nomes de quem vai participar.





O Encontro será realizado no Centro de Formação Pe. Ezequiel Ramin, no município de Cacoal: Rua Floriano Peixoto, 2404 (ao lado da Comunidade São Judas). Tel.: (69) 3441 5964.


Fraternalmente,
a Equipe.

terça-feira, 26 de março de 2013

Diocese de Rio Branco realiza encontro de Formação Continuada com Catequistas



Catequista, Catequista,
Vai Anunciar!
A Mensagem do Evanegelho,
A Boa Nova, vai levar!

No dia 23 de março, mais de 50 educadores e educadoras da fé de Rio Branco, estado do Acre, estiveram reunidos/as para o encontro de Formação Continuada.


O encontro aconteceu na região de Porto Acre e contou com a participação de 03 paróquias:
Santa Cruz, São Lourenço e Nossa Senhora de Nazaré.
O encontro foi conduzido pela equipe diocesana:
Irmã Lori, Eronilson, Adélia e Silvânia.


O tema estudado e apresentado foi: O ANO DA FÉ.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Grebicat realiza reunião em São Paulo

Grebicat
O Grupo de Reflexão Bíblico-Catequética da CNBB (GREBICAT) realiza um encontro entre nos dias 22 e 23 de março de 2013, na Casa de Encontros La Salle, em São Paulo (SP).
Esta é a primeira que o grupo se reúne neste ano. Dentre os temas abordados estão a apresentação e discussão do livro "Palavra de Deus, Fonte da Catequese", da Coleção “Catequese à luz do Diretório Nacional de Catequese"; os 30 anos do Documento da Catequese Renovada, reflexão coordenada pelo padre Lima e a elaboração de Itinerários para a Iniciação à Vida Cristã.
De acordo com assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, padre Décio José Walker, “a presença de cada um dos participantes traz consigo a riqueza de múltiplas experiências de iniciação à Vida Cristã espalhadas por todo o Brasil e que iluminam o caminho a ser trilhado por nossas comunidades rumo a uma Igreja toda missionária e ministerial”. O assessor destacou ainda o clima de acolhida e fraternidade reinante no encontro onde, segundo ele, “a Palavra de Deus é fonte de vida e esperança para todos”.
Fonte: CNBB

quinta-feira, 21 de março de 2013

Paróquia São José em Tarauacá - AC recebe visita da Coordenação Diocesana de Catequese

Oi gente querida! 
Aqui, na Diocese de Cruzeiro do Sul, as paróquias, estão a "todo vapor" na re-organização da Animação Bíblico-catequética. 
Nos dia 15,16 e 17 de março estive na Paróquia São José em Tarauacá. Que grupo maravilhoso de Catequistas! Apesar de toda a chuva, a sede de formação foi mais forte do que as intempéries do tempo. Domingo, na Santa missa das 8h contou com a presença maciça das famílias e catequizandos: Catequistas recebendo os seus catequizandos e as famílias conhecendo  quem está na missão dos seus filhos. 
Parabéns, padres, Irmãos, catequistas e catequizandos da Paróquia São José de Tarauacá. 
Ir.Adila Imig
Coordenadora Diocesana 
Animação Bíblico-catequética

segunda-feira, 18 de março de 2013

O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja


         Nas redes sociais havia anunciado que o futuro Papa iria se chamar Francisco. E não me enganei. Por que Francisco? Porque São Francisco começou sua conversão ao ouvir o Crucifixo da capelinha de São Damião lhe dizer:”Francisco, vai e restaura a minha casa; olhe que ela está em ruínas (S.Boaventura, Legenda Maior II,1).

Francisco tomou ao pé da letra estas palavras e reconstruiu a igrejinha da Porciúncula que existe ainda em Assis dentro de uma imensa catedral. Depois entendeu que se tratava de algo espiritual: restaurar a “Igreja que Cristo resgatara com seu sangue”(op.cit). Foi então que começou seu movimento de renovação da Igreja que era presidida pelo Papa mais poderoso da história, Inocêncio III. Começou morando com os hansenianos e de braço com um deles ia pelos caminhos pregando o evangelho em língua popular e não em latim.

É bom que se saiba que Francisco nunca foi padre mas apenas leigo. Só no final da vida, quando os Papas proibiram que os leigos pregassem, aceitou ser diácono à condição de não receber nenhuma remuneração pelo cargo.

Por que o Card. Jorge Mario Bergoglio escolheu o nome de Francisco? A meu ver foi exatamente porque se deu conta de que a Igreja, está em ruinas pela desmoralização dos vários escândalos  que atingiram o que ela tinha de mais precioso: a moralidade e a credibilidade.

Francisco não é um nome. É um projeto de Igreja, pobre, simples, evangélica e destituída de todo o poder. É uma Igreja que anda pelos caminhos, junto com os últimos; que cria as primeiras comunidades de irmãos que rezam o breviário debaixo de árvores junto com os passarinhos. É uma Igreja ecológica que chama a todos os seres com a doce palavra de “irmãos e irmãs”. Francisco se mostrou obediente à Igreja dos Papas e, ao mesmo tempo, seguiu seu próprio caminho com o evangelho da pobreza na mão. Escreveu o então teólogo Joseph Ratzinger: ”O não de Francisco àquele tipo de Igreja não poderia ser mais radical, é o que chamaríamos de protesto profético”(em Zeit Jesu, Herder 1970, 269). Ele não fala, simplesmente inaugura o novo.

Creio que o Papa Francisco tem em mente uma Igreja assim, fora dos palácios e dos símbolos do poder. Mostrou-o ao aparecer em público. Normalmente os Papas e Ratizinger principalmente punham sobre os ombros a mozeta aquela capinha, cheia de brocados e ouro que só os imperadores podiam usar. O Papa Francisco veio simplesmente vestido de branco e com a cruz de bispo. Três pontos são de ressaltar em sua fala e são de grande significação simbólica.

O primeiro: disse que quer “presidir na caridade”. Isso desde a Reforma e nos melhores teólogos do ecumenismo era cobrado. O Papa não deve presidir com como um monarca absoluto, revestido de poder sagrado como o prevê o direito canônico. Segundo Jesus, deve presidir no amor e fortalecer a fé dos irmãos e irmãs.

O segundo: deu centralidade ao Povo de Deus, tão realçada pelo Vaticano II e posta de lado pelos dois Papas anteriores em favor da Hierarquia. O Papa Francisco, humildemente, pede que o Povo de Deus reze por ele e o abençoe. Somente depois, ele abençoará o Povo de Deus. Isto significa: ele está ai para servir e não par ser servido. Pede que o ajudem a construir um caminho juntos. E clama por fraternidade para toda a humanidade onde os seres humanos não se reconhecem como irmãos e irmãs mas reféns dos mecanismos da economia.

Por fim, evitou toda a espetacularização da figura do Papa. Não estendeu os braços para saudar o povo. Ficou parado, imóvel, sério e sóbrio, diria, quase assustado. Apenas se via a figura branca que olhava com carinho para a multidão. Mas irradiava paz e confiança. Usou de humor falando sem uma retórica oficialista. Como um pastor fala aos seus fiéis.

Cabe por último ressaltar que é um Papa que vem do Grande Sul, onde estão os pobres da Terra e onde vivem 60% dos católicos. Com sua experiência de pastor, com uma nova visão das coisas, a partir de baixo, poderá reformar a Cúria, descentralizar a administração e conferir um rosto novo e crível à Igreja.

Leonardo Boff é autor de São Francisco de Assis: ternura e vigor, Vozes 1999.



sexta-feira, 15 de março de 2013

Nota da Arquidiocese de Porto Velho: Saudação ao novo Papa!

Aos Padres, Religiosos, Religiosas e a todo Povo de Deus

Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração” 
(Jr 3,15).

Com esta palavra do profeta Jeremias, a Arquidiocese de Porto Velho acolhe e saúda o Papa Francisco na certeza de que, enviado por Deus, realizará a vontade daquele que o consagrou como discípulo missionário de Jesus Cristo, o Bom Pastor.

Mais uma vez manifestamos nosso agradecimento a Deus pelos quase oito anos do Pontificado do Papa Bento XVI, com seu testemunho de vida e seus ensinamentos fundados no Evangelho.

O novo Papa, com a missão de apascentar o rebanho de Deus em todo o mundo, em nome de Jesus Cristo (cf. Jo 21,15.16.17), escolheu chamar-se Francisco. Em S. Francisco de Assis, temos um forte exemplo de quem, pela graça concedida por Deus,marcou e marca a vida da Igreja e do mundo a partir do seguimento a Jesus Cristo. Certamente, o Papa Francisco deseja lembrar a todas as pessoas o caminho de Jesus Cristo que se identifica com os pobres e que somos chamados a reconhecê-lo na pessoa desses irmãos e irmãs, na maioria das vezes, excluídos.

Todas as comunidades com as pastorais, movimentos, equipes e serviços, todos os Padres, religiosos e religiosas, seminaristas e cristãos leigos (as) da nossa Arquidiocese de Porto Velho estamos chamados a continuar em oração pelo novo Papa! Que não lhe falte a assistência do Espírito Santo para, em nome de Cristo e da Igreja, guiar o Povo Deus em vista da vida plena, confirmando os seus irmãos na fé (cf. Lc 22,32).

O Papa Francisco, tendo vivido até agora na América Latina, conhece muito bem a realidade que nos marca. Seja ele um Bom Pastor para o mundo, ajudando-nos a viver segundo o Evangelho, nessa mudança de época.

Será uma grande alegria poder saudá-lo pessoalmente por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em julho do corrente ano.

Com muita fé, continuemos vivenciado esse tempo da quaresma na feliz esperança de podermos celebrar e viver a Páscoa do Senhor Jesus Cristo!

Porto Velho, 13 de março de 2013.

D. Esmeraldo Barreto de Farias

Coordenadores/as de Catequese do Regional Oeste I se reuniram




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Reunião dos Coordenadores de CatequeseOs coordenadores de catequese das dioceses de Mato Grosso do Sul estiveram reunidos para o Conselho Regional de Pastoral do Regional Oeste 1 (MS) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na última segunda-feira, 11 de março, no Instituto Teológico João Paulo II (ITEO).
Durante o encontro foram debatidos os seguintes assuntos: As Diretrizes Gerais da Ação Evangelização da Igreja no Brasil (2011 – 2015); Os objetivos do VII Sulão de Catequese; Animação Bíblica da Pastoral; Iniciação Cristã; Valorização da Palavra de Deus; Formação e o Próximo Sulão de Catequese.
A iniciação à vida cristã é a principal preocupação dos coordenadores, como essa iniciação deve acontecer e como a mesma vem acontecendo. “Precisamos atrair as crianças para conhecer Deus, e fazer com que seus pais se encantem novamente com esse Deus e trazerem seus filhos para a Igreja”, destacou a coordenadora da catequese da arquidiocese de Campo Grande, Jovita Kalif.

Fonte: CNBB

quinta-feira, 14 de março de 2013

CANTA, FRANCISCO

(Música de Pe. Luiz A. Passos, SJ)

Ant.: Nos olhos dos pobres, no rosto do mundo,
eu vejo Francisco, perdido de amor!
É índio operário, é negro, é latino,
jovem, mulher, lavrador e menor!

1. Há um tempo só paixão, grito e ternura,
clamando as mudanças que o povo espera,
justiça aos pequenos: ordem do Evangelho.
Reconstrói a Igreja na paixão do pobre.
Há crianças nuas nesta paz armada.
Há Francisco-povo sendo perseguido,
há jovens marcados sem teto nem sonhos,
há um continente sendo oprimido.
Com as mãos vazias solidariedade
com os que não temem perder nada mais...
Defendem com a morte a dignidade
com a teimosia que constrói a paz.

CANTA, FRANCISCO, DO JEITO DOS POBRES
TUDO O QUE ATREVESTE A MUDAR.
CANTA NOVO SONHO, SONHO DE ESPERANÇA:
QUE A LIBERDADE VAI CHEGAR.
CANTA, FRANCISCO, COM A VOZ DOS POBRES
TUDO O QUE ATREVESTE A MUDAR.
CANTA NOVO SONHO, SONHO DE MENINO:
NOVO CÉU E TERRA VÃO CHEGAR.

2. Há Claras, Franciscos marginalizados,
cantando da América a libertação.
Meninos sem lares são irmãos do mundo
pela paz na terra sofrem parto e cruz.
Francisco imagem de um Deus feito pobre.
Denúncia, esperança, profecia e canto
vence com a coragem o império da morte,
de braços com a vida em missão na história.
Francisco, menino e homem das dores,
reconstrói a Igreja pelo mundo afora,
na fraternidade nos traz a justiça,
na revolução que anuncia a aurora.
pela paz na terra sofrem parto e cruz.
Francisco imagem de um Deus feito pobre.
Denúncia, esperança, profecia e canto
vence com a coragem o império da morte,
de braços com a vida em missão na história.
Francisco, menino e homem das dores,
reconstrói a Igreja pelo mundo afora,
na fraternidade nos traz a justiça,
na revolução que anuncia a aurora. 

Vídeo para esta música:

quarta-feira, 13 de março de 2013

Habemus Papam!

Católicos do mundo inteiro aguardavam o momento. A Igreja Católica confirmou às 20h14 (16h14 de Brasília) desta quarta-feira (13) quem é seu novo papa: o cardeal Jorge Mario Bergoglio, 76 anos, da Argentina, foi o escolhido para suceder Bento 16 no conclave que começou na terça-feira (12) e terminou hoje, às 19h07 (15h07 de Brasília), quando a fumaça branca tomou a praça São Pedro, após cinco escrutínios. Ele assume o nome Francisco I.


SOBRE JORGE MARIO BERGOGLIO


Nascido em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina, Jorge Mario Bergoglio formou-se engenheiro químico, mas escolheu posteriormente o sacerdócio, entrando para o seminário em Villa Devoto. Em março de 1958, ingressou no noviciado da Companhia de Jesus (jesuítas). Em 1963, ele estudou humanidades no Chile, retornando posteriormente a Buenos Aires.

Entre 1964 de 1965, Bergoglio foi professor de literatura e psicologia no Colégio Imaculada Conceição de Santa Fé e, em 1966, ensinou as mesmas matérias em um colégio de Buenos Aires. De 1967 a 1970, estudou teologia.

Em 13 de dezembro de 1969, foi ordenado sacerdote. 

Arquidiocese de Porto Velho realiza a Abertura do Ano Catequético

   
No início de Março os catequistas da Arquidiocese de Porto Velho encontraram-se para a Abertura do Ano Catequético. Fizeram-se presentes representantes das Paróquias do Regional Porto Velho e da Área Missionária. 




Foi um momento formativo e celebrativo de ampla participação e animação por parte dos catequistas.
Os catequistas foram assessorados pelo coordenador Arquidiocesano de Pastoral: Padre Jaime Luís, que trabalhou o tema: Ano da Fé


Logo após a formação aconteceu a celebração Eucarística presidida pelo Arcebispo de Porto Velho - Dom Esmeraldo Barreto. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Retiro dos Catequistas em Humaitá

     A Paróquia São Domingos Sávio da Diocese de Humaitá realizou no último dia 10 de fevereiro o Retiro com Catequistas. O Encontro foi realizado no Centro de Convivência da Pessoa Idosa. 
     Teve início com a acolhida, oração inicial, leitura e reflexão da Palavra de Deus. Como tema principal foi abordado o Catecismo da Igreja Católica - CIC - e o Creio, em memória do Ano da Fé. O tema foi conduzido pelo Pe. Alfredo. 
     Após os estudos, foi entregue a programação dos conteúdos para a caminhada da catequese na Paróquia, seguido dos avisos e partilha do lanche. 

Pe. Alfredo Souza 


Arquidiocese se prepara para receber os alunos da Escola Catequética

A Arquidiocese de Porto Velho tem a honra de convidar os educadores e educadoras da fé que concluíram a 2ª Etapa da Escola Catequética, para dar continuidade à formação em 2013.
O primeiro encontro está marcado para o dia 17 de março (domingo), no Centro de Pastoral (Av. Carlos Gomes), das 14h às 18h. Quem contribuirá na assessoria desta etapa será a Srª Marlene da Paróquia São Luiz Gonzaga. 

Atenciosamente, 
Coordenação Arquidiocesana da Catequese.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Equipe Colegiada de Animação Bíblico-Catequética do Regional Noroeste se reuniu no último final de semana




Foi realizado nos últimos dias 22, 23 e 24 de fevereiro o encontro Equipe Colegiada na cidade de Humaitá, no sul do Estado do Amazonas. O local que acolheu os participantes foi o Instituto Renascer, a Casa de Recuperação Masculina da Diocese de Humaitá, no km 12 da Rodovia Humaitá-Manaus.

O momento dedicado para estudo e reflexão do encontro girou em torno da Iniciação à Vida Cristã. Os participantes comentaram que o tema já vem sendo estudado nas bases há algum tempo, e que agora é preciso refletir como aplicar a IVC na prática comunitária.

Além de partilharem um pouco da caminhada de cada diocese, também foi feito os repasses trazidos do Encontro Nacional pelo Articulador da Equipe, Ir. Jorge. Além disso, outro ponto discutido foi a escolha da nova Equipe Colegiada para o biênio 2014-205. O grupo aproveitou a ocasião também para organizar os encaminhamentos do Encontrão com Catequistas que será realizado no mês de setembro, em Porto Velho, onde será apresentada a nova Equipe Colegiada.

SOBRE A EQUIPE COLEGIADA

A Equipe Colegiada é formada pelos coordenadores/as diocesanos/as da Comissão Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética das Dioceses de Cruzeiro do Sul (AC), Rio Branco (AC), Ji-Paraná (RO), Porto Velho (RO), Guajará-Mirim (RO), Humaitá (AM) e Prelazia de Lábrea (AM), que juntas compõem o Regional Noroeste da CNBB.

O encontro acontece duas vezes por ano. Seus objetivos giram em torno de manter a unidade entre as dioceses e Prelazia, encurtando as distâncias, à luz do direcionamento da CNBB. O encontro da Equipe Colegiada acontece duas vezes por ano: em fevereiro e setembro.


Texto: Eronilda de Souza Limeira, Teóloga e Secretária da Comissão.




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Transfiguração: celebração antecipada da vitória sobre a cruz - Ildo Bohn Gass




por CEBI Publicações
Segundo os evangelistas, a cena da transfiguração está em meio aos anúncios da paixão. A intenção é mostrar como a cruz faz parte da vida de quem assume o projeto do Pai até as últimas consequências. A fidelidade a Deus e ao resgate da vida dos pobres contraria interesses religiosos, econômicos e políticos. Nesse sentido, a perseguição pelos poderes que governam este mundo é inevitável na vida de quem assume a causa do Reino e de sua justiça.
Este relato é uma leitura pós-pascal e pretende narrar antecipadamente a vitória de Jesus sobre a morte na cruz, apresentando-o como o messias glorioso. É o que indica sua roupa branca como a luz (Mt 17,2). A ressurreição, a vitória sobre os poderosos, é a vida em toda a sua plenitude que vence os poderes de morte deste mundo.
Elias é o representante da profecia. Moisés faz lembrar não somente o êxodo, mas também todo Pentateuco, toda lei, que a tradição judaica atribuía a ele. Por um lado, a lei e os profetas, isto é as Escrituras todas, se cumprem em Jesus. Ou seja, o Nazareno dá continuidade à primeira aliança, levando-a à sua plenitude. Por outro lado, a comunidade de Mateus apresenta Jesus como um profeta que, tal como os profetas Elias (1Rs 17,1) e Moisés (Dt 18,15), veio anunciar um novo êxodo de liberdade para seu povo. O fato de Jesus subir, acompanhado por Pedro, Tiago e João, no alto de uma montanha (Mt 17,1), confirma esta perspectiva, pois é uma referência ao monte Sinai, no qual Deus deu a conhecer ao povo o seu projeto de vida e de liberdade, que Moisés registrou no decálogo (Ex 20,2-17). A tradição identificou a montanha da transfiguração com o monte Tabor. E Jesus é apresentado ao mundo como o novo Moisés que vem para resgatar a essência da lei, isto é, o amor que liberta e promove a vida de todos igualmente.
Ao propor ficar na montanha e construir três tendas (Mt 17,4), Pedro revela sua dureza de coração. Fazia pouco tempo que Jesus já lhe tinha chamado a atenção para sua cegueira, acusando-o de cumprir a função de Satanás como pedra de tropeço no projeto de Deus (Mt 16,22-23). Mesmo assim, Pedro ainda não compreendera que a construção da justiça do Reino não permite privilégios, nem acomodação. Ser discípulo não é somente participar da glória de Jesus, mas é também carregar a sua cruz, gerando e defendendo a vida.
nuvem (Mt 17,5) é um dos símbolos privilegiados na Bíblia para falar da presença de Deus (Ex 13,21; 16,10; 34,5; Nm 12,5). E, tal como em Lucas o anjo dissera a Maria "o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" (Lc 1,35), agora desceu uma nuvem sobre a montanha, "cobrindo-os com a sua sombra". É o Pai confirmando a missão do Filho. Da nuvem saiu uma voz que disse: "Este é meu filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o", da mesma forma como já havia anunciado por ocasião do batismo (Mt 3,17). Jesus é o Emanuel, presença libertadora de Deus entre nós (Mt 1,23).
Não é possível acomodar-se no alto da montanha. Ouvir a sua voz desinstala e leva adescer para junto do povo sofrido e tornar o Reino de Deus presente, sem ufanismo ou triunfalismo (Mt 17,9). Mas ciente de que o seguimento humilde da prática libertadora de  Jesus significa estar disposto a também sofrer as consequências da cruz.
Ildo Bohn Gass é bliblista, leigo católico. Junto com o Pastor Carlos Dreher (IECLB) e a Revma. Lucia Sírtoli (IEAB), é autor do livro O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Não desviar Jesus (Lc 4,1-13) - José Pagola



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As primeiras gerações cristãs mostraram grande interesse pelas provações e tensões que teve que superar Jesus para manter-se fiel a Deus a viver sempre colaborando no sem projeto de uma vida mais humana e digna para todos.
O relato das tentações de Jesus não é um episódio fechado, que acontece num momento e num lugar determinado. Lucas nos adverte que, ao terminar estas tentações "o diabo afastou-se dele até o tempo oportuno".  As tentações voltarão na vida de Jesus e na de seus seguidores.
Por isso, os evangelistas colocam o relato antes de narrar a atividade profética de Jesus. Os seguidores dele devem conhecer bem estas tentações desde o começo, pois são as mesmas que eles terão que superar ao longo dos séculos, se não querem se desviar dele.
Na primeira tentação fala-se de pão. Jesus recusa-se a se valer de Deus para saciar sua própria fome. "não só de pão vive o homem". O mais importante para Jesus é buscar o reino de Deus e sua justiça: que haja pão para todos. Por isso vai um dia se valer de Deus, mas será para alimentar uma multidão faminta.
Também hoje a nossa tentação é pensar só no nosso pão e preocupar-nos exclusivamente de nossa crise. Desviamo-nos de Jesus quando acreditamos ter o direito de possuí-lo e nos esquecemos do drama, os medos e sofrimentos daqueles que carecem de quase tudo.
Na segunda tentação fala-se do poder e da glória. Jesus renuncia a tudo isso. Não vai se prostrar diante do diabo que lhe oferece o domínio sobre todos os reinos do mundo: "Adorarás o Senhor teu Deus". Jesus não buscará nunca ser servido, mas servir.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tu és o meu filho; eu hoje te gerei (Lc 3,15-16.21-22) - Ildo Bohn Gass



por CEBI
A liturgia deste final de semana propõe abrir-nos a Deus, da mesma forma como Jesus o fez ao acolher o dom do Espírito enquanto estava em oração logo após o seu batismo.

Em Lucas, a narrativa a respeito do batismo de Jesus vem depois do Evangelho da Infância. Entre as narrativas da infância (Lucas 1-2) e o início da missão de Jesus (Lucas 4,14 em diante), os autores deste Evangelho inserem os relatos da preparação do caminho do Senhor feita por João Batista (Lucas 3,1-20) e o relato da preparação de Jesus para sua missão (Lucas 3,21-4,13). Como dobradiça que liga as duas partes, está a narrativa a respeito do batismo de Jesus (Lucas 3,21-22). Temos, assim, um paralelo entre dois batismos: o de João com água e o de Jesus com o Espírito e com o fogo.

A comunidade de Lucas faz questão de situar historicamente o início da atividade de João (Lucas 3,1-2). Do ponto de vista político, foi no tempo de Tibério, imperador romano de 14 a 37 d.C., e de Herodes Antipas, governador da Galileia desde 4 a.C. até 39 d.C. Do ponto de vista religioso, foi na administração do sumo sacerdote Caifás (sumo pontífice no templo de 18 a 36 d.C.), genro de Anás (6-15 d.C.), nomeado sumo sacerdote por Herodes Antipas em nome do imperador. Por um lado, João denuncia profeticamente o reino da opressão representado por Tibério e por Herodes, em aliança com o templo de Jerusalém. Diante de tanto sofrimento, o povo esperava ansiosamente a vinda de um libertador. João Batista propõe a prática da partilha efaz fortes críticas aos poderosos, anunciando um juízo severo para eles (Lucas 3,17). Por isso, o povo começou a ver em João a esperança da vinda do messias, o rei ungido por Deus que viria para libertar o seu povo.

Por outro, João anuncia a vinda do Reino de Deus para breve (cf. Lucas 3,9.17), chamando à conversão, à mudança de mentalidade e de vida, convocando à partilha e à vivência de relações fraternas (Lucas 3,11-14). Em consequência dessa prática profética, ele foi preso e encarcerado pelos poderosos de seu tempo (Lucas 3,19-20). Assim, João cumpriu sua missão como profeta que faz a ponte entre a Aliança de Deus com Israel e a Aliança em Jesus com toda humanidade.

Para Lucas, a tarefa de João é fazer com que as pessoas se convertam e se abram ao Reino de Deus presente no novo agir de Jesus. Lucas o apresenta mostrando para Jesus. João não é o Messias, o Cristo, o Ungido. Seu batismo era somente com água, sinal de purificação e de conversão para acolher Jesus de Nazaré, mais forte do que João. Sua atitude é de estar a serviço, menor ainda que os servos, cuja tarefa era desatar as sandálias de seus senhores.
  
As sandálias também lembram a lei do levirato (Deuteronômio 25,5-10). Segundo esta lei, quando um marido morria sem deixar filhos, um parente próximo devia assumir a viúva para gerar um herdeiro para o falecido. Assim, resgatava sua terra, de modo que ficasse no clã. Quando o parente mais próximo se negava a assumir a tarefa do resgate para seu irmão falecido, outro parente devia cumprir a lei. Era então que o parente mais próximo dava uma de suas sandálias ao novo resgatador, o novo noivo. Era o sinal que este passava a ter o direito de resgate, de gerar descendência para o falecido. Ao não desatar a correia das sandálias de Jesus, João reconhece nele o resgatador, o messias libertador de todas as formas de opressão. João é o último representante da Antiga Aliança. Jesus, porém, é o noivo da Nova Aliança.

Jesus é batizado com água junto com o povo, em meio ao povo. Em seu batismo, Jesus é investido para a sua missão, guiado pelo Espírito de Deus. É somente Lucas quem faz referência à atitude orante de Jesus no seu batismo. E é esta atitude de intimidade de Jesus com o Pai que faz com que o Espírito o transforme e o envie para evangelizar os pobres (Lucas 4,18-19). Também para nós Jesus pediu que tivéssemos essa atitude orante durante a vida toda, abrindo-nos ao Espírito de Deus. Ele é fruto da oração, da acolhida, é dom (Lucas 11,13).

João batiza Jesus com água. No entanto, Jesus batiza com o Espírito e com o fogo. Por isso, o seu batismo é superior ao de João. É no Espírito Santo, representado pelo fogode Pentecostes (Lucas 3,15-16; Atos 2,1-13). Neste Evangelho, ainda antes do batismo de Jesus, há uma ênfase muito grande na apresentação de pessoas abertas à ação do Espírito Santo. Lembramos João Batista, Maria, Zacarias e Simeão (Lucas 1,15.41.67; 2,26-27). E o fogo recorda a presença de Deus no êxodo, na libertação do povo, oprimido pelo sistema faraônico (Êxodo 3,2-3; 13,21; 19,18). É o mesmo fogo de Pentecostes, o dinamismo do Espírito, que entusiasma os discípulos e as discípulas de Jesus para o anúncio e a vivência da boa-nova até os confins da terra (Atos 1,8; 2,1-13).

Uma vez preso João, Jesus dá um novo rumo à sua missão. Diferentemente do Precursor, que anuncia a vinda do Reino de Deus para breve e como um juízo severo, Jesus vive o Reino já presente no seu jeito de se relacionar especialmente com as pessoas mais discriminadas, revelando a misericórdia do Pai (cf. Lucas 7,22; 11,20; 17,20-21).

Lucas apresenta o batismo de Jesus depois da prisão de João como o ato em que oEspírito de Deus vem confirmar o Nazareno enquanto Messias, ungindo-o para a missão do serviço, da mesma forma como fora ungido o servo de Deus em Isaías 42,1 e 61,1. Nesse momento, Jesus estava em oração, isto é, em íntima comunhão com a fonte da vida, com o projeto do Reino. Tão íntima é essa comunhão que, em Jesus, Deus e a humanidade se encontram. Esse é o significado da abertura do céu (Lucas 3,21), realizando a esperança do povo (Isaías 63,19b). Em Jesus, céu e terra estão tão próximos que é possível perceber a presença materializada ("em forma corpórea") do Espírito de Deus nas atitudes de Jesus. Se em Gênesis 8,8-11 a pomba foi a mensageira da vida recriada depois de submersa pelas águas do dilúvio, agora a presença da pomba anuncia que o Espírito de Deus impulsiona Jesus a realizar a nova criação, mulheres e homens recriados a partir das águas do batismo. No batismo, morremos com Cristo e ressuscitamos com ele para uma vida nova (Romanos 6,1-14). Viver como pessoa renovada e ressuscitada é, portanto, missão de todos nós.

Ao lembrar a entronização do rei que vem libertar o povo (Salmo 2,7: "Tu és o meu filho"), a comunidade de Lucas apresenta Jesus como o verdadeiro Rei e Messias, que veio governar com justiça e no serviço ao povo. Por isso, lembra também a missão doservo em Isaías 42,1 ("em ti está o meu agrado"). No batismo de Jesus, temos umaepifania, ou seja, uma manifestação do filho de Deus ao mundo, gerado como o messias que vem libertar o povo.

No batismo, Jesus assume publicamente o seu compromisso com as novas relações do Reino de Deus já presente em seu agir. Batizar-se em seu nome, na linguagem paulina, é revestir-se de Cristo, ou seja, é agir como o próprio Cristo agia, superando todas as formas de discriminação (cf. Gálatas 3,27-28).

*Ildo Bohn Gass é biblista, assessor do CEBI e autor de diversos livros, dentre eles a coleção Uma Indrodução à BíbliaQuatro retratos do apóstolo Paulo e O Pão nosso de cada dia dá-nos hoje.

Dom Pedro Casaldáliga e os latifundiários


por A reportagem é de Lucas Kocci, publicada no jornal Il Manifesto. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Por quase um mês ele foi mantido escondido em um lugar secreto, hóspede de um amigo e protegido pela polícia. Às vésperas do Ano Novo, no entanto, no dia 29 de dezembro passado, Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, no Brasil, pôde retornar para a sua casa e para a sua comunidade noMato Grosso, onde vive ininterruptamente desde 1968.

Ele tivera que se afastar no início de dezembro, por causa das ameaças contra ele por parte dos latifundiários, dos quais uma ordem do Supremo Tribunal está subtraindo milhares de hectares de terras, ocupadas ilegalmente há anos, para restituí-las aos seus legítimos proprietários, os índios do povo Xavante, desde sempre defendidos e apoiados por Casaldáliga

No último período, as intimidações haviam se tornado cada vez mais insistentes e perigosas: "O bispo não verá o fim de semana", teriam dito durante uma reunião dos fazendeiros. E assim, o governo federal preferiu proteger o idoso religioso de 85 anos, que sofre de Parkinson, até que a tensão tivesse acalmado.

Os latifundiários acusam o bispo de ser o "inspirador" da sentença do Tribunal e de ter a responsabilidade pela demarcação da terra, situada entre os municípios de São Félix do Araguaia Alto da Boa Vista, no norte do Mato Grosso, que agora as autoridades estão devolvendo aos índios. 

"Pedro está bem", mas está muito perturbado "com tudo o que está acontecendo", informa quem o acompanhou durante o afastamento desejado pelas autoridades. "Plena solidariedade" ao bispo que, "desde que pôs os pés na terra do Araguaia, trabalha em defesa dos interesses dos pobres, dos povos indígenas, dos agricultores e dos trabalhadores" foi expressa pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

E a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados do Brasil apresentou uma moção de apoio aCasaldáliga: "Diante das novas ameaças por causa de seu corajoso trabalho de solidariedade para com os povos indígenas e os trabalhadores da terra", a Comissão expressou "seu mais firme apoio ao Bispo Casaldáliga, um humanista que enche de orgulho o Brasil e a todos aqueles que trabalham em prol dos direitos humanos". 

Na Europa, quem tomou a palavra foi o Movimento Internacional Nós Somos Igreja, expressando "profunda preocupação com as ameaças de morte contra Dom Pedro Casaldáliga e a sua equipe pastoral".

Desde os anos 1960 – informa a agência Adista, entre os pouquíssimos órgãos de informação que divulgaram a notícia na Itália –, com a chegada de empresas ligadas ao agronegócio, os índios xavante foram expulsos do seu território, invadido pelos latifundiários, que também levaram muitos agricultores a ocupar algumas áreas, de modo a turvar as águas e camuflar os seus próprios interesses, opondo pobres a outros pobres: os xavante contra os agricultores enganados e manipulados. 

Mas, para ambos, Casaldáliga, que não caiu na armadilha da "guerra entre pobres", sempre pediu a atribuição das terras da reforma agrária. "O despejo prossegue velozmente", declarou o bispo ao portal espanhol Religión Digital, assim que voltou para casa. "Entre tensões e esperanças, tentamos fortalecer a comunhão entre os povos".

Intimidações e ameaças não são novidade para Casaldáliga, que, catalão de nascimento, desde que chegou ao Brasilem 1968 como missionário claretiano, está na lista negra da ditadura militar (1964-1984), primeiro, e dos latifundiários, depois: em outubro de 1976, enquanto exigia em um quartel a libertação de dois agricultores suspeitos de colaborar com os opositores da junta militar, um policial atirou contra ele e matou o jesuíta João Bosco, que lhe serviu de escudo com o seu corpo (poucos dias depois, o quartel foi atacado por agricultores que o destruíram, libertando os seus companheiros); e em 1993 a Anistia Internacional denunciou que os latifundiários haviam contratado um assassino para matá-lo, porque também à época ele defendia a terra dos xavante.

Casaldáliga sempre esteve debaixo de fogo – como também estiveram os "bispos do povo" Helder Câmara Oscar Romero, morto por assassinos do regime militar salvadorenho em 1980 –, porque, assim que chegou ao Brasil dos generais, apoiou e contribuiu com a recém-nascida Teologia da Libertação (que queria encarnar o Evangelho na concretude das condições de opressão dos pobres da América Latina, esmagados pelas ditaduras e pelo capitalismo) e, acima de tudo, se inclina ao lado dos agricultores e dos índios, que cada vez mais são expulsos das suas terras pelas grandes empresas agroalimentares.

Paulo VI, que havia acabado de escrever a Populorum Progressio – em que também se afirma o direito dos povos a se rebelar até com a força contra um regime opressor –, indicou-o como bispo de São Félix do AraguaiaCasaldáligaestá incerto, optou pelos pobres, não para o palácio, e assim convocou a sua comunidade, os religiosos, mas também os leigos, e deixou que fossem eles que decidissem, em um processo não previsto de "democracia participativa". 

Eles lhe deram a permissão e, em agosto de 1971, foi consagrado bispo. Logo abandonou os traços distintivos do poder episcopal: a mitra seria um chapéu de palha dos agricultores; o báculo, um bastão de madeira dos tapirapé, um grupo indígena do Mato Grosso; o anel, não de ouro, mas sim de tucum, usado pelos escravos e, na teologia da libertação, símbolo da união entre a Igreja e os pobres. 

Rejeitou os edifícios curiais, escolheu os oprimidos e escreveu a sua primeira carta pastoral, Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social, uma lucidíssima análise dos perversos mecanismos do capitalismo que deixaria uma marca profunda na Igreja e na sociedade brasileira, antecipando a criação da Comissão Pastoral da Terra

A partir daquele momento, Casaldáliga (e seus colaboradores mais próximos) se tornará um "vigiado especial" da ditadura e dos latifundiários, objeto de intimidações, ameaças e ordens de expulsão, permanecendo sempre ao lado dos pobres, misturando Evangelho, paixão pela justiça e poesia, que ele mesmo compôs. Textos de profunda religiosidade e humanidade: "Deus nos livre de leigos com batinas no espírito / Deus nos livre de padres sem Espírito Santo / Deus nos livre de espíritos sem a carne da vida" (em “Fogo e cinzas ao vento”).
E de intenso amor revolucionário, como o Canto pela Morte de Che Guevara: "Descansa em paz. E aguarda, já seguro, / com o peito curado / da asma do cansaço; / limpo de ódio o olhar agonizante; / sem mais armas, amigo, / que a espada despida de tua morte. / Nem os 'bons' - de um lado –, / nem os 'maus' - do outro –, / entenderão meu canto. / Dirão que sou apenas um poeta. / Pensarão que a moda me ganhou. / Recordarão que sou um padre 'novo'. / Nada disso me importa! / Somos amigos / e falo contigo agora / através da morte que nos une; / estendendo-te um ramo de esperança, / todo um bosque florido / de ibero-americanos jacarandás perenes, / querido Che Guevara!".

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Mês da Bíblia 2013 - Subsídio para encontros


por CEBI - Publicações
Já está disponível o subsídio para o Mês da Bíblia da ICAR 2013. O Evangelho de Lucas - Quem é Jesus para nós? oferece 04 círculos bíblicos elaborados por Carlos Mesters e Mercedes Lopes.
A leitura orante  e comprometida do Evangelho de Lucas nos ensinará como ler os sinais dos tempos, como acolher a hora da visita de Deus, como descobrir os momentos do Espírito. O dom do Espírito, prometido por Jesus, não se compra com dinheiro nem se consegue pelo estudo. O Espírito Santo é dado a quem o pede na misericórdia e na oração (Lc 11,13). Lucas é um verdadeiro intérprete. Ele entende as duas línguas, a de Jesus e a do povo das comunidades, e passa de uma para a outra.
O subsídio é oferecido ao preço de R$ 3,00 a unidade acrescidos das despesas de correio para envio. O pedido mínimo é de 05 unidades ou o valor de R$ 15,00 se for adquirido junto com outros livros.
As encomendas podem ser feitas pelo e-mail vendas@cebi.org.br
Clique aqui e confira outras publicações do CEBI sobre o Evangelho de Lucas .

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Em 2013 pratique a Solidariedade: ajude a promover a Leitura Bíblica



por CEBI Publicações
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O CEBI convida você para um gesto concreto: Participe da Campanha Eu apoio o CEBI.
Com humildade e carinho, o CEBI vem reforçar o convite: Colabore com projetos de Leitura Popular da Bíblia.  Você pode fazer isso por meio da Campanha "Eu apoio o CEBI".  
Visite a página da campanha para saber mais sobre o CEBI e também as formas pelas quais é possível realizar uma doação. Em caso de dúvida, faça contato conosco:administracao@cebi.org.br ou (55) 51 3568-2560.

Veja alguns exemplos do trabalho do CEBI:
- Trabalhos com livrinhos do CEBI no Pará, no Maranhão, com mulheres em situação de prostituição em Salvador e na luta pela terra no rio Grande do Sul.
- Formação sobre Saúde e Bíblia, em todo o país (veja este exemplo no Piauí);
- Capacitação de pessoas na Região Amazônica;
- Trabalhos Diversso feitos pelas Juventudes;
- Presença junto aos assentados de Mato Grosso do Sul.
-  Escolas Bíblicas pelos vários cantos do país.
Outras formas de apoiar o CEBI, além de doação de recursos, são a aquisição dos livros, a realização de trabalho voluntário na sua região ou mesmo a divulgação do trabalho do CEBI aos seus amigos/as, familiares, colegas de trabalho, pessoas de sua relação.
Toda ajuda é valiosa! Lembre-se: O Reino dos ceús é como um grão de mostarda... (Mt 13,31).

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Em busca de uma síntese integradora: os três reis magos - Leonardo Boff


por http://leonardoboff.wordpress.com


Na Bíblia do Novo Testamento, há duas versões do nascimento de Jesus. Uma do evangelho de Lucas que culmina com a adoração dos pastores. A outra, do evangelho de Mateus, que se concentra na adoração dos três reis magos. A lição é: judeus e não-judeus (antigamente se dizia pagãos), cada um a seu modo, tem acesso a Jesus e participam da alta significação que ele encarna. Tentemos captar o sentido dos reis magos, festa que as Igrejas celebram no dia 6 de Janeiro, hoje quase esquecida.

As Escrituras judaico-cristãs deixam claro que Deus não se revelou apenas aos judeus. Antes de surgir o povo de Israel com Abraão, revelou-se a Enoque, a Noé, a Melquisedeque, depois a Balaão e a um não judeu, o rei Ciro a quem, pela primeira vez na Bíblia, se atribui o título de Messias. E nunca deixou de se revelar aos seres humanos, de muitas formas diferentes, pois todos são seus filhos e filhas e ouvintes da Palavra. Os reis magos estão entre eles. Quem eram? Diz-se que eram astrólogos vindos provavelmente da Babilônia.

Naquele tempo astronomia e astrologia caminhavam juntas. Certo dia, estes sábios descobriram uma estranha conjunção de Júpiter com Saturno que se aproximaram de tal forma que pareciam uma única grande estrela, na constelação de Peixes. O grande astrônomo Kepler (+1630) fez cálculos astronômicos e mostrou efetivamente que no ano 6 antes de Cristo (data do nascimento de Cristo pelo calendário corrigido) ocorreu tal conjunção.

Para os sábios, este fato possuia grande signficação. Júpiter, na leitura astronômica da época, era o símbolo do Senhor do mundo. Saturno era a estrela do povo judeu. E a constelação de Peixes era o sinal do fim dos tempos. Os sábios babilônicos assim interpretaram: no povo judeu (Saturno) nascerá o Senhor do mundo (Júpiter) sinalizando o fim dos tempos (Peixes). Então se puseram a caminho para prestar-lhe homenagem.

Sempre houve na história dos povos, pessoas simples ou sábias que se puseram a caminho em busca de salvação, quer dizer, de uma totalidade integradora que superasse as rupturas da existência humana. Deus veio ao encontro desta busca entrando nos modos de ser e de pensar das respectivas pessoas.

Mas por que foram encontrar Jesus? Porque, segundo a compreensão dos evangelistas, Jesus é um princípio de ordem e de criação de uma grande síntese humana, divina e cósmica. Quando dão a ele o título de Cristo (ungido em grego) querem expressar esta convicção. Cristo não é um nome de pessoa, mas uma qualidade conferida a alguém para cumprir uma missão que, no caso, é concretizar uma síntese integradora (salvação).Jesus operou tal síntese; por isso o chamaram de Cristo. Pessoa e missão se identificaram de tal forma que Jesus Cristo se transformou num nome. Mais correto seria dizer, Jesus, o Cristo. Esta síntese é buscada e realizada em outras religiões e caminhos espirituais, embora sob outros nomes: Sabedoria, Logos, Iluminacão, Buda, Tao, Shiva etc. Estes são "ungidos e consagrados"(significado de Cristo) para serem um centro atrator e unificador de tudo o que há no céu e na terra. Mudam os nomes, mas o sentido é sempre o mesmo.

Nossa realidade, entretanto, é contraditória. É feita de elementos sim-bólicos e dia-bólicos, de verdade e de falsidade, de luz e de sombras. Como criar uma ordem superior que ultrapasse essas contradições? Sentimos a urgência de um Centro ordenador e animador de uma síntese pessoal, social e também cósmica.

Os evangelistas usaram o fenômeno astronômico do aparecimento de uma estrela para apresentar Jesus como aquele Senhor do Universo que vem sob a forma de uma frágil criança para unificar tudo. Essa Energia é divina mas não é exclusiva de Jesus. Ela se expressa sob muitas formas históricas e em muitas figuras religiosas, justas ou sábias e, no fundo, em cada pessoa. Em Jesus, o Cristo, ganhou uma concretização tal que mobilizou outras culturas com seus sábios vindos do Oriente, os Magos.

Todos os caminhos levam a Deus e Deus visita os seus em suas próprias histórias. Todos estão em busca daquela Energia unificadora que se esconde no signficado da palavra Cristo. Esse encontro com a Estrela que guiou os magos, produz hoje, como produziu ontem, alegria e sentimento de integração.

Haverá sempre uma Estrela no caminho de quem busca. Importa, pois, buscar com mente pura e sempre atenta aos sinais dos tempos como o fizeram os reis magos.